sexta-feira, 30 de março de 2012

Os Benefícios do Chocolate: Para comer sem (tanta) culpa na páscoa!

Oi queridos leitores!


Este é o post com um tema mais descontraído que prometi para vocês... Afinal, a Páscoa está chegaaandooo... Quando falamos dela, logo lembramos de ovos de CHOCOLATE, que delícia!!! Então, vamos saber um pouco mais sobre os benefícios do chocolate, assim quem sabe, dimimui um pouquinho nossa "culpa". (Todos sabem que o verdadeiro significado da páscoa é outro, mas não entrarei na questão religiosa, ok?!).
Vocês perceberam que sempre tem pesquisas divulgando algo sobre os chocolates?! Pois é, já tem um tempinho que ele está suuuuper em  alta!!!
Encontrei alguns estudos que comprovaram que as substâncias contidas no chocolate, ou melhor, no cacau tem ações bem interessantes no nosso organismo, como:
  • Ajudar na perda de peso, por interferir na produção de leptina (hormônio da saciedade).
  • Melhorar o humor, pela produção de serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação do prazer). Deve ser por isso que as mulheres o desejam muitooo na TPM (risos).
  • Ação Antiinflamatória, por melhorar a secreção de adiponectina, evitando aterosclerose e diabetes.
  • Ação Antioxidante, pois contém flavonóides, assim evitando lesões orgânicas pelos radicais livres.
  • Melhorar a oxigenação dos tecidos (até mesmo do cérebro e coração), pelo aumento do fluxo sanguíneo proporcionado pela cafeína.
  • Aumentar o HDL (colesterol "bom") e Diminuir o LDL (colesterol "ruim"), pois contém ácido oléico (ômega-9) e flavonóides.

Portanto, os estudos afirmam que o chocolate ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, cerebrais e até o câncer, além de poder ajudar a controlar a pressão arterial (ainda em estudo...). Maaas calminha ai, a quantidade máxima que deve ser ingerida por dia é de 30 gramas (uma barra pequena). Pois é, como todos sabem ele é muito calórico. Um detalhe fundamental é que o chocolate AMARGO apresenta mais benefícios, pela maior concentração de cacau, menor concentração de açúcar e menos gorduras saturadas.
A sugestão dos especialista é comer com moderação, afinal tudo em excesso é ruim. Outra dica é comer após uma refeição rica em fibras, por diminuir a absorção do açúcar e não ter o rebote glicêmico, que ocorre geralmente após comer doce em jejum, onde a glicemia sobre rapidamente, a produção de insulina aumenta muito, assim caindo os níveis glicêmicos muito rápido, consequentemente aumentando a vontade de comer mais doce. Os Paciente diabéticos podem comer, mas o amargo DIET e com moderação!!!

Feliz Páscoa, um pouquinho adiantado :)





quinta-feira, 29 de março de 2012

"Quero Ajudar, sendo Doador de Medula Óssea, qual o procedimento?"

Oi galera!

Hoje o assunto é sério! Quem sugeriu este post foi um leitor do blog, que não é da área de saúde, mas se interessou pelo assunto depois que viu (pelo facebook) um apelo dos familiares de um menininho (lindooo!) de 2 anos que está com leucemia e precisa de transplante de medula óssea (Urgenteee).

A leucemia é uma doença maligna (câncer) dos glóbulos brancos do sangue, que são formados na medula óssea (popularmente o "tutano"). Exite várias classificações de leucemias. Nas agudas, geralmente o paciente apresenta infecções (pela diminuição da defesa do organismo), anemia, cansaço, gânglios inchados, dor nas articulações, manchas vermelhas ou roxas na pele... Na crônica, pode ser assintomático pela lenta evolução. A estimativa para 2012 é de 8.510 novos casos.

O transplante de medula óssea é indicado em doenças como: leucemias, hemoglobinopatias, aplasia de medula e doenças genéticas.

Como posso ser um doador de medula óssea?

Você precisa ter entre 18 e 55 anos, ter boa saúde e procurar um hemocentro para coletar uma amostra de sangue (5 ml) para o exame de histocompatibilidade, a tipagem de HLA, que identifica suas características genéticas. Depois seus dados são cadastrados no REDOME (Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea).

Então, assim que tiver algum paciente precisando, o médico responsável inscreve as informações deste paciente no REDOME, inclusive a tipagem de HLA, e quando o banco de dados identifica um doador compatível, logo envia a informação para o médico. E o doador é convocado para realizar testes confirmatórios e realizar a doação (se decidir doar mesmo).

A doação é realizada no Centro Cirúrgico de hospitais especializados, com anestesia peridural ou geral, requer internação de, no mínimo, 24 horas. Geralmente, o doador volta as atividades habituais em uma semana.
A dificuldade maior está na "compatibilidade" entre doador e receptor, em geral, a chance de encontrar um doador compatível é de 1 em 100.000!!! Por isso, a necessidade de ter muitos doadores voluntários inscritos no REDOME.

Uma vez, vi uma colega preocupada porque fez o cadastro nesse banco de dados para ser doadora de medula óssea e já estava pensando na cirurgia... Se você pensa assim, calmaaa, pode ser que um dia na vida algum paciente precise da sua medula, ou não, espere o contato e depois você "se preocupa".

Às vezes, é um encômodo passageiro para você, mas para esses pacientes (como o menininho que falei), significa a VIDA!!!

Se você deseja ser um voluntário, entre em contato com o hemocentro da sua cidade e faça seu cadastro (que é nacional). Lembre-se de levar RG e endereço residencial completo.

Contato do Hemocentro de Cuiabá:
Telefone: (65) 3623-0044
E-mail:
hemo@ses.mt.gov.br



Quem tiver curiosidade em saber mais sobre a Leucemia entre Nesse site do Albert Einstein, está bem fácil de entender. Até mais :)

terça-feira, 27 de março de 2012

Um pouco sumida, mas por uma boa causa...

Oi queridos leitores!

Vim só avisar que apesar de estar um pouco sumida, não esqueci de vocês e vou postar um tema mais descontraido essa semana (surpresa!!!). Só não o fiz ainda, porque as provas de cirurgica não me permitem (de jeito nenhuuum) perder o foco.

Sei que me entendem, até porque muitos de vocês são acadêmicos de medicina e sabem o que é não ter vida fora medicina principalmente nessa época de provas. 

Semana passada, um outro colega me encontrou na faculdade, falou que lê o blog e que acha legal! Fico super feliz em saber que vocês estão gostando e adoroooo quando vocês participam :) Fiquem à vontade para dar sugestões de posts, comentar suas opiniões e até enviar Caso Clínico para discutirmos (Campanha: Compartilhe seu Caso Clínico ). O e-mail do blog é curtindoamedicina@gmail.com .

Sucesso nas Provas (para quem também estiver "nesta vida")!!!

Até mais :)

quarta-feira, 21 de março de 2012

A Síndrome de Down e a Qualidade de vida!

Olá queridos leitores!

Hoje é o Dia Internacional da Síndrome de Down, então uma leitora do blog pediu (e me animou!!!) para eu escrever um pouco sobre o assunto. Vamos lá...

A Síndrome de Down é um distúrbio genético, causado pela trissomia do cromossomo 21. Um dos fatores precipitante é a idade avançada materna, pois os ovócitos ficam mais tempo expostos a problemas ambientais, assim aumentando a possibilidade de ocorrer erros na divisão meiótica. Isso não quer dizer que todas as mães acima de 40 anos terão bebês com a Síndrome de Down e que mãe com 20 anos não terão, ok?!

Algumas características são comumente abservadas como o rosto arredondado, bochechas salientes, mãos pequenas e olhos amendoados. Eles também apresentam mais dificuldades no desenvolvimento físico e  no equilíbrio, problemas ortopédicos são frequentes em crianças e os músculos têm menos tonicidade, por isso é muito importante que eles pratiquem atividades físicas. Ah! Eles também apresentam maior dificuldade no aprendizado. Isso não é impedimento para eles conseguirem executar diversas funções, porém precisam de maior atenção e de profissionais capacitados para ajudá-los no desenvolvimento.

Vocês sabiam que a expectativa de vida deles aumentaram muito? Hoje, eles ultrapassam os 60 anos, sendo que antigamente eles viviam até os 40 anos no máximo. Essa evolução é por causa que a qualidade de vida melhorou bastante.

Existe vários sites e artigos que falam da síndrome, orientam e quebram um pouco desse "pré-conceito". Um artigo sobre a Qualidade de Vida dos Pacientes com Síndrome de Down na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) constatou que quando esse paciente é cuidado por profissionais capacitados, da APAE, eles se consideram mais felizes, isso também acontece quando eles brincam com outros colegas e estão perto da família. Eles se sentem mais tristes quando brincam sozinhos e são atendidos por outros profissionais fora (acredito que seja pela falta de preparo destes).

Também encontrei um artigo sobre a Qualidade de Vida dos Pais desses pacientes. No geral, eles referem uma "boa" qualidade de vida. Relataram a existência de um envolvimento muito grande com a educação e que os cuidados com o filho lhes trazem satisfação. Porém, notaram que o domínio psicológico obteve score mais baixo na avaliação da qualidade de vida, necessitando de suporte psicológico para esses pais.

Pessoal, o mais importante para esses pacientes é o apoio familiar e de uma equipe multidisciplinar capacitada desde o início da vida. O apoio psicológico para a família também é importante. O preconceito ainda existe, mas já diminui bastante pelo fato de falarmos abertamente sobre o assunto. Nessa minha pesquisa (rápida...) encontrei algumas Associações Down muito fofas, olhem...

E até mais :)



sexta-feira, 16 de março de 2012

Projeto Acerto: Pré e Pós-Operatório!

Olá Pessoal!

Essa semana participei do Projeto Acerto e achei muito interessante. Esse projeto iniciou na Universidade Federal do Mato Grosso baseado no ERAS (Enhanced Recovery After Surgery-Europeu) e foi adaptado a realidade brasileira.

"O projeto Acerto (ACEleração da Recuperação TOtal Pós-operatória) é um programa que visa acelerar a recuperação pós-operatória de pacientes. Baseado em programa europeu já existente (ERAS - Enhanced Recovery After Surgery) e fundamentado no paradigma da medicina baseada em evidências, o projeto ACERTO é antes de tudo um programa educativo."

O objetivo é diminuir a mortalidade, morbidade, hospitalização e consequentemente custos hospitalares dos pacientes cirurgicos.

Nesse evento vieram médicos (cirurgiões, anestesistas...) e nutricionistas do Brasil todo, além do presidente do ERAS (Dr. Olle Ljundqvist). Percebi que muitos vieram ao encontro, pois desejam implantar o Projeto Acerto nos hospitais que trabalham ou administram.

Nessa figura estão as condutas estabelecidas pelo Projeto Acerto!


Selecionei alguns tópicos para explicar melhor...
  • Jejum pré-operatório: Na conduta tradicional o jejum é de 8h ("Nada por via oral após a meia noite").  Segundo a ESPEN (European Society for Parenteral and Enteral Nutricion) o protocolo é jejum de sólidos 6h, líquidos até 2h antes da cirurgia e recomendam ingerir bebida rica em carboidrato 2h antes. Eles comprovaram que assim diminui a ocorrência de vômitos e nauseas no pós operatório, aumenta o pH gástrico (menos lesão se broncoaspirar), diminui a resistência periférica à insulina, melhora resposta imune e previne a perda de nitrogênio no pós-operatório. Pacientes com DRGE, Obstrução Intestinal, Diabético e Obeso não fazem parte desse protocolo.
  • Pacientes com câncer (principalmente de cabeça, pescoço e aparelho digestivo) é recomendado utilizar imunonutrientes ( Arginina, Omega 3 e nucleotídeos) durante 14 dias antes da cirurgia. Apesar do aumento do custo no primeiro momento, depois isso é compensado pelo menor tempo de internação pós-op, menos chance de pneumonia (infecções) e melhor capacidade funcional do paciente. Esses imunonutrientes não elevam a dosagem sérica de albumina e não aumentam IMC. Pacientes desnutridos devem receber alimentação apropriada antes de fazer o procedimento.
  • Realimentação precoce no pós-operatório: A recomendação é que realimente o paciente hemodinâmicamente estável de 12 à 24h após a operação. Antigamente temiam fistulização com essa conduta, mas os estudos confirmaram que a dieta precoce é segura.
  • Preparo mecânico do cólon: De maneira geral, a recomendação é que não faça o preparo do cólon, pois o paciente tem mais chance de ir para a cirurgia com deficiência de sódio, potássio, fósforo, hipotensão, hipovolemia...
No simpósio, todas essas novas práticas foram baseadas em evidências e confirmaram que está na hora de mudar alguns conceitos milenares da prática cirurgica para diminuir complicações e melhorar a readaptação do paciente no pós operatório. Vale ressaltar que essas condutas são para cirurgias eletivas. Quem tiver curiosidade, entre no site www.projetoacerto.com.br .Até mais :)


quarta-feira, 14 de março de 2012

Aplicativos da Área Médica para Smartphones e Tablets!

Oi Pessoal!!!

Esses smartphones e tablets são ótimos né?! Não sei como eu vivi tanto tempo sem essa tecnologia (risos), não só pelo acesso rápido a internet, mas pelos aplicativos que alguns smartphones disponibilizam, que agilizam muitooo nosso trabalho. Fiz uma pesquisa superficial de alguns aplicativos interessantes para acadêmicos e profissionais da área médica, alguns eu já uso, outros descobri agora e estou testando...

É só clicar no nome dos aplicativos para ler mais sobre eles, todos esses são gratuítos!

CID-10 Pro "Esqueça folhar todas aquelas páginas de livros gigantes para encontrar o código de uma doença! Com o CID-10 Pro, em menos de 15 segundos você encontra qualquer código." Esse eu uso muito e já faz um tempo, principalmente para preencher os formulários.

CliniCalc Vários cálculos que usamos na prática está aqui, é só preencher os espaços que ele calcula para você.

Evernote Use para salvar suas idéias, itens que você vê e gosta (Baixei agora).


Genéricos BR Gostei muito, fácil de usar e ótimo para pesquisa rápida de medicamentos.

Genius Scan Esse é um scanner prático, útil para quando precisamos "daquela" página de um livro por exemplo.

Medpage Today Mobile Encontramos atualizações das diversas especialidades medicas (em inglês).


Neuromind ótimo para neurologistas ou quem está estudando a matéria, mas também tem várias escalas importantes, como escala de coma em crianças e  escala de glasgow, útil para consulta rápida (em inglês).

Então, são esses pessoal! Aproveitem e quem souber de mais algum aplicativo avise a gente. Até mais...

domingo, 11 de março de 2012

Caso Clínico sobre Dengue por Luís Felipe Cavalcante (5º ano, UNIDERP).

Oi Pessoal!!!

Hoje o post é da Campanha: Compartilhe seu Caso Clínico! por Luís Felipe Cavalcante, acadêmico do 5º Ano de Medicina da UNIDERP, Mato Grosso do Sul.



"Internação: 08/03

Nome: B. S. S.

Idade: 6 anos

QPD: Desmaio, febre e vômitos há 21 horas

HC: Há 5 dias paciente iniciou quadro febril intermitente de 37,8C , melhorando com o uso de dipirona, retornando após 2 horas de medicação. Associado a febre, refere vômitos com restos alimentares, anorexia e constipação. Mãe levou ao CRS onde foi prescrito metronidazol (utilizou por 4 dias), além de Minilax (não fez uso), dipirona sódica e soro de reidratação oral. Não houve melhora dos sintomas. Há 48 horas, apresentou dor em flanco direito de forte intensidade do tipo lacerante que piorava com a ingesta líquida e alimentação. Refere ainda tosse seca com predomínio noturno. Procurou novamente o CRS onde foi solicitado radiografia de abdome (sem alterações) , ultrassonografia de abdome (sem alterações), EAS (sem alterações) e hemograma (granulaçoes tóxicas). Relata dor a descompressão brusca do abdome (sic). Foi liberada para casa após hidratação endovenosa. Há 21 horas apresentou novo episódio de vômito com conteúdo biliar. Logo em seguida teve um episódio de síncope, sendo que demorou cerca de dez minutos para recuperar a consciência. Procurou CRS onde foi encaminhada para Santa Casa com suspeita diagnóstica de leishmaniose visceral ou apendicite.

Ao exame físico de entrada apresentava-se afebril, eupneica, orientada, ativa, hipocorada +/4+, desidratada 5%: Exame cardiovascular, pulmonar, extremidades, neurológico sem alterações. Abdome: flácido, indolor a palpação, RHA +, timpanismo difuso, Traube ocupado, Blumblerg -, Giordano -. Ausência de sinais meníngeos. Prova do laço -.



Hipótese Diagnóstica: Dengue Clássica



No primeiro dia de internação hospitalar evolui com dor retroorbitaria associada a fotofobia. No segundo dia de internação já apresentava-se assintomática. A alta foi realizada no terceiro dia de internação com indicação de hidratação via oral, sulfato ferroso para anemia e reafirmação dos sinais de alerta.



Hemograma 05/03 (CRS): Erit: 4,4 Hb: 11,3 Ht: 35 VCM: 79,5 HCM: 25,7 CHCM: 32,3 Leuc: 6900 Neut: 92% Bast: 16% Seg: 76% Linf: 7% Mon: 1% Eos: 0% Bas: 0% Plaq: 150.000. Granulações tóxicas.

Hemograma: 08/03 (manhã): Erit: 4,09 Hb: 10,5 Ht: 31,4 VCM: 77 HCM: 25,7 CHCM: 33,6 Leuc: 4300 Neut: 83% Bast: 3% Seg: 80% Linf: 12% Mon: 5% Eos: 0% Bas: 0% Plaq: 182.000

Hemograma: 08/03 (tarde): Erit: 3,75 Hb: 10,1 Ht: 29,4 VCM: 78 HCM: 26 CHCM: 34 Leuc: 3700 Neut: 75% Bast: 0% Seg: 75% Linf: 20% Mon: 5% Eos: 0%  Bas: 0% Plaq: 166.000

08/03: Glicose: 76; Sódio: 134; Potássio: 3; Cálcio: 8,8; TGO: 57; TGP: 79; Amilase: 47; PCR: 36,7

Hemograma 10/03: Erit: 3,9 Hb:10 Ht: 30 VCM: 77 HCM: 25.6 CHCM: 33.3 RDW: 13,4 Leuc: 3080 Neut: 43% Bast: 0% Seg: 43% Linf: 51% Mon: 3% Eos: 3%  Bas: 0% Plaq: 246.000 (Presença de agregados plaquetarios que dificultam plaquetometria)



Conduta tomada se baseou na hidratação endovenosa + sintomáticos.

-Pontos a serem notados:

Elevação de transaminases hepáticas, apesar de não ser evidenciada hepatomegalia no exame físico nem na ultrassonografia abdominal

Leucopenia – Piora a cada leucograma

Plaquetopenia – Apesar de esperar uma queda mais acentuada a partir da remissão da febre, a plaquetometria foi alterada por agregados plaquetários

Anemia ferropriva – Hematócrito baixo, mesmo com a dengue que leva a hemoconcentração fica difícil notar alteração.

Traube ocupado evidencia esplenomegalia

Dor abdominal (sinal de alerta) mimetizando uma apendicite

Síncope por desidratação

Remissão da febre em 6 dias, não ultrapassando o limite de 7 dias

Região endêmica para dengue

Necessidade de notificação."
Luís Felipe Cavalcante, 5° ano de Medicina na UNIDERP (MS).
Pessoal, gostei muito deste caso, não só porque sexta postei sobre Dengue (onde falo que MS é área endêmica), mas pelo fato de mostrar que na prática clínica, muitas vezes, não é tão simples chegar em um diagnóstico preciso, pois os sinais e sintomas dessa paciente sugeriam outros diagnósticos também, mas que foram excluídos pelos exames de imagem e pelo exame físico. A dengue foi diagnósticada pelo história clínica, pela leucopenia e plaquetopenia.
Parabéns Luís Felipe pelo relato de caso e pela iniciativa de enviá-lo ao blog :) Se alguem tiver alguma dúvida, pode perguntar que eu ou Luís Felipe renponderemos. Até mais...


sexta-feira, 9 de março de 2012

Dengue: O que devemos saber?

Olá Pessoal!

Entra ano, sai ano e a gente sempre ouvindo falar de como prevenir a proliferação do mosquito da dengue. As campanhas não deixam a gente esquecer e realmente toooodo ano devemos ter esse cuidado, mas tem uma turminha esquecendo o dever de casa...

Os números de casos no Brasil diminuíram em relação ao ano passado. No entanto, o meu estado, Mato Grosso é uma das 6 localidades do país onde as notificações de dengue cresceram consideravelmente, na relação está Sergipe, Tocantins, Pernambuco, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Aqui em MT já tem 5,5 mil casos registrados neste ano (2012).

Existem 2 formas clinicas da doença:

  • Dengue Clássica: Os sintomas são dor muscular, dor nas articulações e atrás dos olhos (que piora aos movimentos destes), febre alta, cefaléia, prostração, náuseas, vômitos e também pode apresentar manchas vermelhas pelo corpo (exantema). De maneira geral é semelhante a gripe. Geralmente, os sintomas duraram de 3 a 7 dias e depois regridem.
  • Dengue Hemorrágica: As manifestações iniciais são as mesmas da dengue clássica, porém depois que a febre começa a cessar, no terceiro dia, os sinais de hemorragia aparecem (sangramento nasal, gengival, petéquias...), dor abdominal forte e contínua, pele pálida, fria e úmida, pulso rápido e fraco. Podendo evoluir para a Síndrome do Choque associado à dengue que ocorrem alterações neurológicas, sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva e derrame pleural.

O diagnóstico pode ser confirmado após a história clínica e exames laboratoriais (hematócrito, contagem de plaquetas, leucograma e sorologia). Como disse meu professor (Infectologista), quando têm sintomas característicos com leucopenia e plaquetopenia, é sugestivo de dengue. A sorologia é importante para confirmar se teve mesmo contato, mas o exame só confirma a doença após 5 dias do inicio dos sintomas, ou seja, na fase em que o paciente já está praticamente curado. 

Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrendo plaquetopenia (<100.000 mm3) e hemoconcentração (aumento de pelo menos 20% nos valores habituais do hematócrito) com ou sem presença de manifestações hemorrágicas expontâneas ou induzidas, considera-se o paciente portador de dengue hemorrágico.

O tratamento da dengue é sintomático com analgésico e antipirético (exceto AAS), hidratação e repouso. No caso de dengue hemorrágica grave o paciente deve ser hospitalizado para monitorização.

Portanto pessoal, vamos prevenir! E se aparecerem esses sintomas, procure o médico, nada de auto-medicação. Até mais...

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Mulher e a Medicina!

Olá pessoal!

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, a homenagem do blog será para as mulheres que lutaram para conquistar seu espaço na área médica.

A primeira brasileira a frequentar a Faculdade de Medicina no Brasil foi Rita Lobato Velho Lopes (foto abaixo) em 1883 no Rio de Janeiro, transferiu para Faculdade de Medicina da Bahia em 1885, onde diplomou-se em 1887, com a tese A Operação Cesariana. Clinicou até 1925. Foi eleita vereadora em 1935. Faleceu em 1954 aos 87 anos.


Na Idade Média as mulheres que se envolviam com a medicina eram consideradas representantes de Satã, então deveriam morrer na fogueira.

No Renascimento as mulheres eram reperesentação de beleza, procriação e virtude, mas não do intelecto.

No Século XX (Primeira Guerra Mundial) As mulheres se inseriram de forma legítima na sociedade, com a necessidade de substituição daqueles que foram convocados para a guerra. Porém, as médicas receberam menos honrarias e eram menos aceitas. Dedicaram-se à formação de enfermeiras e foram aceitas para atuar no espaço da sáude.

Na Segunda Guerra Mundial, obtiveram mais oportunidades de agir junto ao corpo médico masculino e atuaram na resistência, aeronáutica e no atendimento de urgência.


Na Sociedade Industrial com a intensa transformação cultural, os movimentos sociais e políticos impulsionaram as mulheres para as universidades públicas em busca de um projeto de vida profissional e não apenas doméstico.

Na década de 80, as mulheres sofriam muito preconceito na área profissional, recebiam funções repetitivas e fariam carreiras mais longas (mais tempo para subir de nível) que os homens, a explicação era que a mulher tinha jornada dupla, além de trabalhar deveria cuidar do casamento e filhos.

Hoje, as mulheres continuam lutando, afinal boa parte da sociedade ainda é machista. Mas já conquistamos muito, graças à essas mulheres que não aceitaram e que até hoje não aceitam o preconceito contra a classe feminina.  E as mulheres são a maioria em muitas Faculdades de Medicina no Brasil. PARABÉNS MULHERES!!!







segunda-feira, 5 de março de 2012

Equipe Multidisciplinar: Qual a relação do médico com os outros profissionais?

Oi pessoal!!!

Este post foi sugestão de um leitor, que disse acompanhar "dia-a-dia uma porção de profissionais individualistas que tratam colegas como subordinados". Infelizmente, isso acontece sim!

A formação de Equipe Multidisciplinar começou há poucos anos, após o intenso processo de especialização da área da saúde e formação dos PSFs (hoje, ESF). Esse trabalho em equipe vem mostrando sucesso na prevenção de doenças (atenção primária) e na recuperação dos pacientes, no entanto podem ocorrer "alguns probleminhas" de convivência ou discordâncias entre os profissionais, que falam algumas vezes diferentes linguagens ou não concordam com o líder, que geralmente é o médico.

Antigamente o médico era visto como pessoa quem tem o "dom da cura", ou seja, as pessoas os "endeusavam". Hoje, o médico é o profissional mais valorizado dentro da equipe, em questão de remuneração e estatus (talvez pela história da profissão, pelos 6 anos de facultade, fora a residência e/ou pela resposabilidade que é enorme). Assim, quando concentra em uma só pessoa o super ego, com o poder de liderança e uma pitadinha de arrogância (principalmente), acontece isso que o nosso leitor relatou, mas lembrem-se que isso varia de pessoa para pessoa.

Pessoal, já estive dos dois lados estudante de farmácia e hoje, de medicina. Sabe o que acontece desde a faculdade? os de medicina são supervalorizados pelos outros estudantes, isso é fato! O motivo? não sei, deve ser porque estudamos muito, vivemos sob pressão, pela dificuldade de passar no vestibular (até mesmo nas particulares) ou pela tradição de "endeusar" o médico. Os estudantes de medicina são (super)valorizados desde o primeiro semestre por todos, muito diferente de quando os alunos cursam e formam em outros cursos da área (sei bem como é isso!).

Um exemplo que aconteceu comigo, já era farmacêutica e um dia expliquei para o meu pai para ele tomar tal medicamento em jejum, porque era melhor para absorção do fármaco. Sabe o que ele falou? Eu não, o médico não me falou isso! :O Hoje, ele até pergunta sobre medicamentos e outras coisas da área para mim (isso que nem sou médica ainda). Isso é cultural, a última palavra é a do médico, mas na realidade isso não exclui o conhecimento dos outros profissionais, não é mesmo?!
Portanto, como eu já disse em outro post, cada profissional estudou para fazer sua função e deve ser respeitado. Lembrando que todo líder, independente da área, deve saber ouvir, respeitar e orientar seus colaboradores, cultivando sempre a união da equipe, se não, quem aguenta trabalhar assim, não é?! Até mais...

sábado, 3 de março de 2012

Campanha: Compartilhe seu caso clínico!

Oi pessoal! 

Estava pensando... A discussão de casos clínicos ajudam muito na aprendizagem, pois integra teoria com a prática, então tive a idéia da Campanha: Compartilhe seu Caso Clínico... É assim:

Se tiver algum caso clínico interessante para relatar, de preferência que você vivenciou e deseja compartilhar, envie no meu email curtindoamedicina@gmail.com , que irei postar no blog em sua autoria.

Preciso do nome, semestre (se estudante) e universidade ou estado.

Não precisa ser nada formal. A finalidade é compartilhar experiências! Participem :)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Caso Clínico de Hepatite B e C - Ambulatório de DIP!

Oi pessoal!!!

Hoje a aula foi no ambulatório de Doença Infecto-Parasitárias e tenho mais um caso para compartilhar com vocês...

Paciente, 63 anos, masculino, diabético, hipertenso, procurou o ambulatório de DIP em setembro com fraqueza e icterícia. Retorna ao ambulatório sem os sintomas anteriores e em bom estado geral, para mostrar os exames solicitados anteriomente (setembro de 2011) com a hipótese diagnóstica de Hepatite B fase crônica ou/e Hepatite C.

Exames anteriores (setembro 2011):
  • TGO = 99U/l (Ref: 37U/l)
  • TGP = 130U/l (Ref: 41U/l)
Exames trazidos hoje (março 2012):
  • HBsAg = Não reagente
  • Anti HBc Total = Reagente
  • Anti-HCV = Reagente
  • HCV-RNA qualitativo = Positivo
  • HIV = Negativo
  • VDRL = Negativo
  • US de Abdome = Sem alterações.
Obs.: Outros exames foram solicitados como Glicemia de Jejum e Anti-HBs, mas o paciente não trouxe.

Traduzindo... O paciente teve contato com o vírus da Hepatite B (Anti-HBc total reagente - tem anticorpos contra o vírus-core), provavelmente está evoluindo para cura (HBsAg não reagente - "ausência do antígeno"), porém devemos esperar o resultado do Anti-HBs (+) para afirmar "a cura" (ou cicatriz imunológica). O ideal é sempre solicitar o tripé: HBsAg + Anti-HBs + Anti-HBc Total. Lembrem-se, quando os paciente são vacinados, eles apresentam apenas anticorpos contra o antígeno de superfície, ou seja, Anti-HBs reagente.

Continuando... Esse paciente tem Hepatite C, pois teve contato com o vírus (Anti-HCV reagente) e foi confirmado o diagnóstico com o HCV-RNA qualitativo positivo. Então, solicitamos HCV-RNA quantitativo (para avaliar a carga viral) e Genotipagem, para saber qual o tratamento de acordo com o genótipo (1,2,3...). Sendo o genótipo 1 o mais prevalente no Brasil.

As hepatites B e C são doenças silenciosas,  ás vezes, fraqueza, icterícia e edema são notados, mas geralmente são assintomáticas. A não ser quando apresentam Insuficiência hepática e Cirrose. Os sintomas nestes casos são: Edema (diminui albumina), aranhas vasculares, plaquetopenia, risco de hemorragia (diminui protrombina), circulação colateral, varizes no esôgfago, hemorróida, esplenomegalia e ascite.
Os exames que devem ser solicitados na Insuficiência Hepatica são:
  • Transaminases (TGO e TGP);
  • Fosfatase Alcalina;
  • Hemograma (plaquetopenia);
  • Bilirrubina;
  • TAP;
  • Albumina;
  • Gama GT.
É isso galera, se tiverem alguma dúvida me avisem que procuro esclarecer. Até mais...
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